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Os pobres, os ricos e os nomes

em 12/12/12


O tema é sensível mas comecemos pelo básico: para mim, todos os cidadãos têm o mesmo valor, mais ainda os recém-nascidos, que são a coisinha mais semelhante que pode haver. Mas também é verdade que há cidadãos muito mais ricos do que outros. E, infelizmente, há uns que são muito mais pobres do que outros. E nestes dois extremos, há nomes próprios que não tendem a cruzar barreiras. Simplificando muito, isto origina aquilo a que chamam "nomes de ricos" e "nomes de pobres" e, destas duas categorias, é claro que há uma que tem uma carga muito mais negativa, por estar associada à privação. É-me muito mais fácil falar de "nomes betinhos" porque vejo isso apenas como sinal de riqueza, do que falar de nomes de pobres, que se colam a uma série de preconceitos muito mais graves. 
Para mim, os expoentes máximos destes nomes que não se cruzam são, no caso das meninas, Carlota e, no caso dos meninos, os clássicos portugueses seguidos de Maria. Manuel Maria, António Maria, Francisco Maria e José Maria, em particular. 
Há uns meses, reuni uma série de nomes compostos de crianças admitidas nos jardins de infância do ensino público. Sabem que nome não apareceu? Maria Carlota. Na lista de convocados para o Dia da Defesa, composta por cidadãos nascidos em 1993, existem 49 nomes masculinos seguidos de Maria apenas no concelho de Cascais (84 páginas). No concelho de Gondomar (80 páginas), sabem quantos nomes masculinos seguidos de Maria aparecem? 0. Zero. Nenhum. E quantas Carlotas? Zero. Em Cascais aparecem nove.
Estando perfeitamente consciente desta realidade, prefiro nomes mais neutros, que não me façam pressupor nem uma coisa, nem outra e por isso é que digo tantas vezes que não sou a maior adepta de nomes masculinos compostos com Maria. E também porque, longe de Cascais, numa pequena cidade do norte do país, o pequeno José Maria que estudou comigo e a quem jocosamente chamavam de Mariazinha, teve de enfrentar dias difíceis. Sim, porque o preconceito não se limita à pobreza nem é exclusivo de nenhuma classe social. 

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Antes que chovam críticas, não se esqueçam que estudei toda a minha vida em escolas públicas e muito mais próxima de pessoas com "nomes de pobre" do que com "nomes de ricos"; dos meus amigos que tinham escalão A e B, poucos foram os que chegaram à fase das bolsas de estudo e nem sempre foi por falta de bons resultados escolares. A vida não é igual para toda a gente e acreditar nisso é ingenuidade.